31 de janeiro de 2014

Deixa-me. Ir.

Olá. Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Não sei que dia é hoje, não sei que horas são. Não sei nada de ti. Não sei nada de mim. Não sei onde estou, não sei onde estás. Não sei se quero saber mais onde estamos, mas nem estamos juntos. Porque não estamos. Existe um aperto dentro de mim, um escuro. Escrevo-te na esperança que um dia leias tudo o que sempre te quis dizer e nunca quiseste ouvir, nunca tiveste tempo, nunca quiseste, nunca... Nada. Quero que saibas tudo de mim, os porquês de tudo. Quero que sejas o meu diário e por isso escrevo-te. 
Procurei 19 anos por ti, e aos 20 perco-te. Num piscar de olhos faço 21 e é o fim da minha vida. Eu vi Samuel. Eu vi a luz, eu vi o túnel, eu vi a morte a passar-me ao lado, tão leve e calma. Como tu. Tu és a minha morte, a minha vida, o meu escuro e a minha luz. És a minha leveza e calma. És a minha droga. 
Pareço um pouco obcecada. Pareço um pouco perdida. Pareço um pouco lunática. Pouco sóbria, pouco segura. Porque Samuel... Meu Samuel, no fundo a culpa não é tua. Não é minha. Não é de ninguém, de mais alguém. A vida dá voltas e voltas e de todas as voltas que dei não consegui sair de um circulo vicioso que criei dentro de mim. Um mim sem ti, e um mim contigo. Percebes?
Não. Não percebes. Não percebes a minha falta, a minha saudade, a minha cena, a tua cena, a nossa cena. Já não há nada e sempre houve tudo. Estou farta. Tu estás farto. Então que se foda. Eu que me foda. Nós que se foda. É o cansaço entendes? Estou cansada de ser assim, que sejas assim, que toda a vida seja assim. Estou farta de nenhuma chamada ser tua, de nenhuma mensagem ser tua. Estou farta da vida que tenho e a que não tenho.
Estou farta de viver. Não porque tu me deixaste. Mas porque eu mesma me larguei. Abandonei-me Samuel. Não estou bem. Nada está bem. Esta merda toda está a destruir-me. Estás a destruir-me. Estou a enlouquecer. Aquela luz enlouqueceu-me. Estava tão perto caralho. Estava tão próxima do fim. Eu ia Samuel, porquê que apareceste e me puxaste caralho? Porque não me deixaste ir. Eu não quero mais isto assim. Disseste que nunca me ias deixar, que a nossa amizade era a melhor, que eu era a melhor pessoa que te podia ter aparecido, porquê que eu não sou nada agora? 
Deixa-me morrer. Mataste-me. Estou farta de respirar e nenhum ar ser teu. Estou farta de falar e nenhuma palavra ser a tua. Estou farta de fingir uma felicidade e uma paz interior que não existe. Ficou tudo contigo, merda, porquê que é sempre esta merda. Estou farta. Deixa-me ir. Deixa-me ir e descansar. 
20 anos. 20 anos de cansaço e guerras interiores. Estou farta. Deixa-me. Ir. 

7 comentários:

  1. Lamento tanto mesmo. Não gosto destas tuas palavras aqui tão triste. Mas eu compreendo-te, mesmo!

    ResponderEliminar
  2. mas não queremos todos saber como é a morte? o que há depois disso?
    e este texto está...WOW!!

    ResponderEliminar
  3. Que texto triste querida. Tens de guardar o que de bom essa pessoa te deu e seguir em frente, só assim te podes voltar a sentir melhor.

    ResponderEliminar
  4. estou sem palavras. ara além de me arreiar, ainda me surgiu uma lágrima no cantito do olho
    força miuda.

    ResponderEliminar
  5. r: talvez seja só uma fase má, não?

    ResponderEliminar

«O teu anjo da guarda fala pela boca daquela mulher, que não tem mais inteligência que a do coração, alumiada pelo seu amor.»