11 de abril de 2016

Como se nunca tivesse ido embora.

Respeito. Já não existe, já não se usa, passou de moda. Agora, é mais precioso dar opiniões gratuitas e fora de contexto. Usamos as histórias dos outros para criticar quando nos esquecemos de olhar para o espelho e ver quem mais devemos de criticar, nós mesmos. Temos a memória curta, ou convém ter a memória curta, para os nossos erros. Somos humanos, é sem querer, é de propósito, mas erramos.
"Herrar é umano" já dizia o outro, clichê ou não é um facto e contra factos já não há argumentos.
E aqui estou eu de novo. Entre as minhas quatro paredes, à espera que o tempo passe, que seja a hora fatídica. Não sei se sou eu, se é o mundo, se é tudo ao mesmo tempo. Mas algo não está certo, talvez o vazio no peito que decidiu voltar, talvez a expectativa seja maior que aquilo que a realidade me oferece, se são os outros que não entendem ou se serei eu que não explico.
É confuso, desgastante lutar contra tudo e todos, à espera de um único foco de luz.
Eu grito, em silêncio, choro, sem lágrimas e sorrio, sem esboçar um sorriso.
É no mínimo doloroso. É no mínimo insuportável viver assim.
Mas é assim que eu vivo.
Erro atrás de erro, tenho soldado todas as minhas dívidas com o mundo. Não tenho deixado nada por fazer, por dizer talvez, mas cheguei à conclusão que se foi assim, é porque não valia a pena.
O esforço que se faz, o esforço que já se fez e aquele que sabemos que ainda vamos fazer. Será que é mesmo isto? Será que é mesmo para ser assim? Fazemos sentido ou o sentido esqueceu a nossa relação?
Sou eu, é o mundo, és tu.
Não consigo evitar deixar a lágrima escorrer, afinal elas ainda estão em mim, são tantas as palavras ditas - que mais parecem facas a cortar as minhas veias - eu já não deito sangue.
De mim já só sai todas as coisas boas que eu tinha no mundo, ficando apenas aquele escuro que demorei tanto a mandar embora. Eu achava que nunca iria acontecer nada disto contigo, e aqui estou eu, a admitir que me sinto um lodo total.
Já não sei se chore. Só me apetece deixar ir pela corrente de novo. E tu deixas que eu vá, já não me dás a mão.

2 comentários:

  1. Não sei se te agradeça por descreveres como eu me sinto, se chore contigo, se te diga para ter força e paciência, porque a vida é assim e quando nos parece má tantas vezes se torna boa! Um beijinho enorme minha princesa :')

    "Não sei se sou eu, se é o mundo, se é tudo ao mesmo tempo. Mas algo não está certo, talvez o vazio no peito que decidiu voltar, talvez a expectativa seja maior que aquilo que a realidade me oferece, se são os outros que não entendem ou se serei eu que não explico.
    É confuso, desgastante lutar contra tudo e todos, à espera de um único foco de luz.
    Eu grito, em silêncio, choro, sem lágrimas e sorrio, sem esboçar um sorriso.
    É no mínimo doloroso. É no mínimo insuportável viver assim.
    Mas é assim que eu vivo.
    Erro atrás de erro, tenho soldado todas as minhas dívidas com o mundo. Não tenho deixado nada por fazer, por dizer talvez, mas cheguei à conclusão que se foi assim, é porque não valia a pena.
    O esforço que se faz, o esforço que já se fez e aquele que sabemos que ainda vamos fazer. Será que é mesmo isto? Será que é mesmo para ser assim?" -- Fantástico!

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  2. Podes te sentir um lodo total mas tens que te erguer! Ter força para enfrentar o mundo!

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«O teu anjo da guarda fala pela boca daquela mulher, que não tem mais inteligência que a do coração, alumiada pelo seu amor.»